📓 Narrado por Miguel Satamini — Segunda-feira, noite
Eu fiquei parado na calçada mesmo depois que o táxi levou Clara embora. O motor roncou, o carro sumiu, mas eu continuei ali, imóvel, com a mão ainda formigando do ponto exato onde agarrei o braço dela. Parecia que a pele dela tinha queimado na minha.
Quando percebi, estava cerrando os dentes com tanta força que a mandíbula doía. Entrei no carro sem olhar pros lados e bati a porta como se o barulho pudesse calar a voz dela na minha cabeça