Narrado por Clara — Noite de sábado
As velas iluminavam o rosto dele de um jeito perigoso. Miguel parecia esculpido na penumbra maxilar firme, olhos fixos em mim como se eu fosse a única pessoa no mundo. E talvez eu fosse, pelo menos naquele instante.
Levei a taça de vinho à boca, mas nem senti o gosto. O que queimava não era o álcool, era a lembrança recente das palavras do pastor naquela tarde.
“Viva o hoje. O amanhã pertence a Deus.”
Fechei os olhos por um segundo. E se hoje fosse