📓 Narrado por Miguel Satamini
Saí da empresa antes do horário.
Não peguei pasta. Só o peso do que disse e o que ficou entalado.
O vento batia no vidro do carro e, pela primeira vez em meses, eu não queria o silêncio.
Mas nem música servia pra anestesiar aquilo.
O nome dela vinha junto com o barulho dos pneus no asfalto: Clara.
A cidade passava como borrão prédios, semáforos, gente com pressa.
E eu ali, preso dentro de mim, tentando entender quando foi que comecei a perder o controle que tanto