O café fumegava nas canecas improvisadas — uma xícara lascada, uma caneca de metal com tinta seca no fundo e um copo de vidro que já tinha sido de geleia. Sentados ao redor de uma mesa instável no canto do ateliê, Clarice, Daniel e Leonardo pareciam uma trégua mal ensaiada. Cada um com seu próprio universo girando atrás dos olhos.
— Esse café tá horrível — Daniel resmungou, depois de um gole cauteloso. — Você colocou tinta junto, Clarice?
— Eu não sou barista, sou pintora — ela rebateu, rindo.