Acordei cedo, tomei coragem (e café, muito café), e peguei o trem rumo à casa da minha mãe. Estava com saudade… e também fugindo mentalmente da palavra “desempregada”. Também estava morrendo de saudades e já que estava com tempo livre, decidi aproveitá-lo com ela.
Cheguei e, antes mesmo de respirar, minha mãe já perguntou:
— Está namorando?
E eu num impulso, respondi:
— Sim.
Por quê? Não sei.
Talvez porque eu não queria mais virar meme familiar como “a solteira eterna”. Talvez porque minha mãe tem aquele olhar que espreme a alma da gente.
Ela fez meu prato favorito, ficamos conversando sobre a vida… e eu, covarde? Não contei que perdi o emprego. Detalhes irrelevantes que poderiam fazê-la desmaiar na cozinha? Melhor deixar para depois.
…
Carlos tinha seguido Laura desde o momento em que ela saiu de casa. Mantinha uma distância segura, mas não tirava os olhos dela. Quando viu que ela entrou no trem e foi para a casa da mãe, pegou o celular imediatamente.
— Senhor… ela chegou na casa da