Os meses após a ilha de paraty se assentaram em uma rotina deliciosa, quase viciante. Elisa e Gael descobriram que, longe das crises, o dia a dia deles era feito de pequenas coisas que os faziam se sentir vivos: olhares cúmplices no escritório, mensagens provocantes durante o dia, noites em que o mundo lá fora simplesmente desaparecia.
Segunda-feira – Escritório, 8h15
Elisa chegou primeiro, como sempre. Passou na cafeteria do prédio e pegou dois cafés: um preto forte para ela, um com leite e uma pitada de canela para ele — detalhe que só ela sabia.
Entrou na suíte de Gael sem bater, encontrando-o já ao telefone com Tóquio. Ele ergueu os olhos, sorriu imediatamente e fez sinal para ela entrar.
— ...sim, Tanaka-san, os novos testes de precisão estão acima de 96%. Enviamos o relatório ontem — disse ele em inglês fluente, mas os olhos fixos nela enquanto ela colocava o café na mesa.
Elisa se inclinou sobre a mesa, fingindo arrumar uns papéis, só para ficar mais perto.
— Você é um anjo — m