Depois da decisão favorável da ANPD, o silêncio que se seguiu foi quase ensurdecedor. Pela primeira vez em meses, não havia alertas, notificações urgentes, nem reuniões marcadas em vermelho na agenda. Ainda assim, Elisa sentia o corpo tenso, como se estivesse esperando o próximo impacto.
Gael percebeu antes mesmo que ela dissesse qualquer coisa.
Naquela sexta-feira à noite, ele apareceu no apartamento dela com uma mala pequena na mão, camisa branca aberta no colarinho e um sorriso que misturava cansaço e travessura.
— Arrume uma bolsa — disse, largando a mala perto do sofá. — Só o essencial.
Elisa cruzou os braços, desconfiada.
— Gael D’Avila… isso parece o começo de um sequestro.
Ele se aproximou devagar, segurou o queixo dela entre os dedos e sorriu.
— Exatamente. Três dias. Paraty. Casa isolada, vista para o mar, celular desligado. Nada de trabalho, nada de crise, nada de mundo.
Ela abriu a boca para protestar, mas o corpo já estava cansado demais para resistir.
— Eu tenho reuniões