Mundo ficciónIniciar sesiónValéria Carvalho sempre viveu de forma discreta, mergulhada em sua paixão pela música, até que uma traição devastadora a empurra para um caminho inesperado. Agora, ela se vê envolvida em um relacionamento intenso com Felipe Cavalcante, um empresário poderoso, frio e calculista, que guarda segredos mais profundos do que ela poderia imaginar. Felipe nunca deixou ninguém se aproximar verdadeiramente de sua vida. Mas Valéria é diferente, e apesar de seus esforços para mantê-la à distância, ele se vê atraído por ela de uma forma que desafia toda a sua racionalidade. Entre beijos de tirar o fôlego e momentos de tensão, eles navegam por um romance conturbado, cercado por intrigas familiares, ameaças misteriosas e escolhas difíceis. Quando sombras do passado ressurgem, incluindo uma ex-namorada que Felipe nunca esqueceu, Valéria percebe que está mais envolvida do que gostaria nesse jogo de poder e controle. Dividida entre o medo de perdê-lo e o desejo de mantê-lo por perto, ela terá que decidir se vale a pena lutar por esse amor. Com a pressão crescente de forças externas que ameaçam separá-los, Felipe e Valéria precisarão enfrentar seus próprios demônios e descobrir se o amor pode sobreviver em meio a segredos e mentiras.
Leer másValéria havia acabado de descobrir a traição. Gustavo, o homem com quem ela planejava o futuro, estava com outra.
A informação ainda não se acomodava dentro dela. Era recente demais, brusca demais, como se tivesse sido jogada em sua direção sem aviso. A dor estava ali, evidente, mas ainda sem contorno, crescendo em silêncio, ocupando espaço sem pedir permissão. E, ainda assim, ela não podia parar. Lara já a esperava. Elas tinham uma apresentação no The Velvet Room, o pub elegante de Rafael, amigo de Lara. Cancelar não era uma opção, e, naquele momento, talvez fosse melhor assim. Manter-se em movimento parecia mais fácil do que encarar o que começava a se formar por dentro. Talvez a música ajudasse. Talvez não resolvesse nada — mas ao menos adiaria. O silêncio no carro se estendeu durante todo o trajeto. Não era desconfortável por causa de Lara, mas pelo peso do que não estava sendo dito. Valéria manteve o olhar fixo à frente, embora mal registrasse o caminho. A imagem insistia em voltar, sempre a mesma, sempre nítida demais. A imagem insistia em voltar — Gustavo com outra mulher, a naturalidade da cena tornando tudo ainda mais difícil de ignorar. Ela respirou fundo, desviando o olhar por um instante, como se isso fosse suficiente para afastar a lembrança. Não foi. Quando chegaram ao The Velvet Room, o contraste foi imediato. Luzes suaves, madeira escura, detalhes em couro cuidadosamente distribuídos. O som controlado das conversas, o tilintar dos copos, tudo ali parecia seguir um ritmo próprio, tranquilo, organizado. Era um lugar feito para conforto. Nada ali combinava com o que ela sentia. Rafael as aguardava na entrada, com o entusiasmo habitual. — Vocês chegaram na hora! O palco está pronto. Valéria respondeu com um sorriso breve, automático, daqueles que não exigem esforço. — Vamos — disse Lara, tocando levemente seu braço antes de seguir. No palco, Valéria se sentou ao piano e ajustou a postura com precisão. Lara posicionou o violino ao lado. Por um breve instante, tudo pareceu suspenso. Então o primeiro acorde preencheu o ambiente. A melodia se espalhou com facilidade, suave, envolvente, carregando uma melancolia que parecia encaixar perfeitamente na noite. Era bonita. Técnica. Exata. Mas Valéria não acompanhava. Seus dedos seguiam o caminho conhecido das notas, seguros, quase automáticos, enquanto sua mente permanecia distante, presa ao que ainda não conseguia assimilar completamente. Cada som parecia acontecer fora dela, como se estivesse apenas cumprindo um papel que já não lhe pertencia naquele momento. Na mesa, Felipe observava. Não foi apenas a música que chamou sua atenção, mas a forma como ela estava ali. Havia algo que não se encaixava. Uma ausência sutil, mas perceptível, como se parte dela tivesse ficado em outro lugar. Ele se inclinou levemente na cadeira, acompanhando mais de perto. Quando a apresentação terminou, os aplausos vieram contidos, elegantes. Valéria se levantou rápido demais, como se permanecer ali por mais tempo pudesse expô-la de alguma forma. Agradeceu sem se prolongar e deixou o palco ao lado de Lara. Rafael se aproximou quase imediatamente. — Vocês foram incríveis. De verdade. Venham, quero apresentar vocês aos meus amigos. Ela hesitou por um segundo. Conversar exigiria mais do que ela tinha para oferecer naquele momento. Ainda assim, recusá-lo chamaria atenção. Então ela foi. Na mesa, os cumprimentos vieram acompanhados de elogios. — A apresentação foi espetacular. — Impressionante. Há quanto tempo vocês tocam juntas? — Há três anos — respondeu Lara, com naturalidade. Valéria manteve um sorriso discreto, mas sua atenção escapava com facilidade. As vozes ao redor pareciam distantes, como se chegassem até ela com atraso. Ela pegou a taça de vinho. O primeiro gole desceu devagar, aquecendo a garganta, criando uma sensação momentânea de alívio. Insuficiente, mas bem-vinda. O segundo veio sem que ela pensasse muito. Não resolvia. Mas tornava suportável. Felipe continuava observando. Não era difícil perceber que havia algo fora do lugar. O silêncio dela não era apenas timidez ou cansaço. Havia tensão ali, contida, quase visível na forma como ela evitava se envolver. Ele desviou o olhar por um instante, como se decidisse algo, e então se levantou. — Vou lá fora fumar um pouco. A justificativa veio natural, embora não fosse verdade. O corredor levava a uma área externa mais reservada. Quando saiu, o ar fresco da noite trouxe um alívio imediato. Ele passou a mão pelo rosto, soltando o ar devagar, como se tentasse organizar um pensamento que ainda não estava completo. Alguns minutos depois, Valéria também se levantou. — Com licença — disse, sem se alongar. Precisava sair dali antes que alguém percebesse mais do que devia. No banheiro, apoiou as mãos na pia e deixou a água fria correr sobre o rosto. A sensação ajudou por um instante, mas não o suficiente. Quando ergueu o olhar, encontrou o próprio reflexo. Os olhos denunciavam o que ela ainda não tinha conseguido nomear. Sustentou o olhar por alguns segundos, como se esperasse encontrar ali alguma resposta. Não encontrou. Respirou fundo e se afastou. Ao sair, seguiu pelo corredor sem pensar muito no destino, até parar ao notar a presença de alguém. Felipe estava encostado na área externa, mãos nos bolsos, o olhar voltado para o céu. Havia algo tranquilo em sua postura, contrastando com o que ela carregava. Ele percebeu sua aproximação. — Você está bem? A pergunta foi simples, mas direta o suficiente para exigir mais do que uma resposta automática. Valéria o encarou. Por um instante, considerou dizer alguma coisa. Qualquer coisa. Mas não havia forma simples de traduzir o que estava acontecendo dentro dela. O silêncio se estendeu por alguns segundos, e foi nesse intervalo que o impulso veio. Sem aviso ou preparação, ela simplesmente se aproximou e o beijou. O gesto carregava mais do que desejo. Era uma tentativa de interromper o fluxo dos pensamentos, de substituir a dor por outra sensação, ainda que momentânea. Felipe foi pego de surpresa, mas não recuou. A reação veio instintiva, puxando-a para mais perto, correspondendo sem questionar. O beijo ganhou intensidade rapidamente, carregado de algo indefinido, algo que nenhum dos dois tentou controlar. Quando se afastaram, a distância entre eles ainda era mínima. A respiração de Valéria estava irregular. — Você quer sair daqui? — perguntou, a voz mais baixa, mas firme o suficiente. — Pra um lugar mais reservado? Felipe a observou com mais atenção agora. O olhar avaliava, tentava entender o que estava por trás daquela decisão repentina. — Você tem certeza disso? — perguntou. — Tá com algum problema e quer me usar pra esquecer? Não havia acusação no tom. Apenas constatação. Valéria hesitou. O silêncio entre eles durou o suficiente para tornar a resposta desnecessária. — Eu só preciso sair daqui. Ele sustentou o olhar por mais alguns segundos, como se pesasse a situação. — Só espero que você não se arrependa — disse, por fim. — Não sou bom em consolar. Valéria respirou fundo, mantendo-se firme na própria escolha. — Eu não vou. Ou precisava acreditar nisso. Felipe assentiu, aceitando sem insistir. — Então vamos.Na manhã seguinte, a luz suave do sol vienense iluminava o quarto onde Felipe e Valéria ainda estavam deitados. Ele acordou antes dela, observando-a em silêncio, como se quisesse guardar aquele momento para sempre.Quando ela finalmente abriu os olhos, ele sorriu, inclinando-se para beijá-la suavemente na testa.— Bom dia. — Disse ele, sua voz rouca e calorosa.Valéria sorriu levemente, ainda ajustando-se à realidade de que Felipe estava ali, com ela.— Bom dia. — Respondeu, sua voz suave.Por alguns instantes, ficaram em silêncio, apenas apreciando a presença um do outro. Mas Valéria, sempre prática, quebrou o momento.— E Sofia? — Perguntou, virando-se para encará-lo. — Como você vai explicar para ela... tudo isso?Felipe suspirou, mas manteve o olhar firme.— Eu vou conversar com Sofia hoje. Não se preocupe, Valéria. Ela vai entender. — Disse ele, segurando a mão dela. — O mais importante agora é você. Nós. O resto se ajeita.Ela assentiu, tentando confiar nas palavras dele, mas ai
Valéria recuou um passo, tentando recuperar o fôlego e processar o que acabara de acontecer. O olhar de Felipe estava fixo no dela, intenso, carregado de emoção, e ela sabia que não podia mais negar o que sentia.— Felipe... — Começou, mas a voz dela falhou por um instante. Não havia mais o que dizer. Tudo estava claro entre eles.Ele deu um passo à frente, a mão estendendo-se levemente, hesitante, mas cheio de determinação.— Eu sei que você já entendeu tudo, Valéria. Que não foi o que pareceu, que não houve intenção de te magoar. Mas agora não se trata do passado. Se trata de nós... e do que ainda somos. — Ele falou baixo, mas cada palavra carregava um peso que ela sentiu profundamente.Ela respirou fundo, tentando manter o controle sobre si mesma, mas o calor da presença dele era avassalador.— E o que nós somos, Felipe? — Perguntou, com a voz quase um sussurro.Ele deu mais um passo, a mão pousando delicadamente no braço dela, o toque enviando uma onda elétrica por seu corpo.— Nó
Entendi o ponto e concordo que seria mais O som de batidas firmes na porta ecoou pelo apartamento silencioso. Valéria estava no sofá, ainda em seu vestido de apresentação, os pensamentos girando em um turbilhão. Ela não esperava ninguém, especialmente àquela hora. Franziu a testa ao se aproximar da porta.Quando abriu, o ar pareceu desaparecer de seus pulmões. Felipe estava ali, tão próximo que ela quase podia sentir o calor dele. Ele usava um terno impecável, mas seus olhos estavam intensos, determinados.— O que você está fazendo aqui? — Perguntou ela, surpresa, mas mantendo um tom defensivo.Felipe cruzou os braços, os ombros tensos.— Precisamos conversar. — Disse ele, sem rodeios.Valéria piscou, sentindo uma mistura de emoções. Ela tentou fechar a porta, mas ele a segurou, sem forçar, mas sem recuar.— Valéria, não faça isso. Você pode me odiar, mas não pode fugir de mim agora. — Disse ele, sua voz baixa, mas cheia de firmeza.Ela suspirou, recuando e deixando espaço para ele e
O teatro explodiu em aplausos enquanto a última nota ainda ecoava no ar. Valéria e Sofia se levantaram, reverenciando o público que agora estava de pé. O sorriso profissional de Valéria escondia o turbilhão de emoções que fervilhavam em seu interior. Cada olhar dela para Felipe na plateia parecia queimar, mas ela se recusava a demonstrar.Sofia, ao seu lado, parecia extasiada com a recepção calorosa, acenando para o público com entusiasmo. Quando as cortinas finalmente fecharam, as duas retornaram aos bastidores, ainda sentindo a adrenalina da apresentação.— Foi incrível, Valéria! — Exclamou Sofia, abraçando-a brevemente. — Eu sabia que seria memorável, mas isso... isso superou tudo!Valéria esboçou um sorriso discreto, tentando ignorar a presença de Felipe em sua mente.— Obrigada, Sofia. Você também foi maravilhosa. — Respondeu ela, pegando uma garrafa de água para se recompor.Nicolas apareceu logo em seguida, aplaudindo com vigor.— Damas, vocês arrasaram. Esse concerto será lemb










Último capítulo