Saulo Prado
Angelina parecia ser outra pessoa diante de mim. Ou talvez não, talvez sempre tivesse sido assim, e eu apenas a romantizara.
- Claro... é claro que você precisa. - soltei, ríspido. - Você sempre precisa. E depois disso, vai precisar de quê? Esperar a morte?
Ela parou, o silêncio cortando o ar. Deu-me as costas, os ombros frágeis tremendo, e percebi o gesto discreto de enxugar as lágrimas antes de apoiar-se na mesa.
- Me deixe, Saulo. É melhor pra você... melhor pra nós.
Levei as mão