Angelina Da Costa
Entrei em casa como quem pisa em ruínas.
Andei de um lado para o outro. Não dormi. Não descansei nem por segundos. A cabeça latejava, o chão parecia longe. Ainda havia no ar o cheiro da espuma rasgada, da madeira quebrada. O lugar onde o sofá costumava ficar não era apenas um espaço vazio, era um buraco dentro de mim.
— Mãe… é só um sofá.
Júlia disse isso pela quinta vez.
E pela primeira vez, eu a olhei como quem encara um abismo entre mundos. Porque ela não entendia. Não fazi