Ninguém a porta

Angelina Ribeiro

O celular começou a vibrar na cabeceira, ainda nem tinha clareado direito. Abri os olhos devagar, estendi a mão sem nem enxergar direito quem era. Atendi.

- Alô?

Silêncio. Só o clique da ligação sendo encerrada. Olhei a tela. Número desconhecido, fora da cidade. Suspirei e larguei o celular de lado.

Virei o rosto. Atlas ainda estava encolhido contra mim, o corpo quente, a respiração mansa. O rostinho sereno, delicado, os fios claros caindo bagunçados sobre a testa. Dormia tranquilo, como se o mundo não tivesse nada de errado. Do outro lado, Adson. A mesma calma. A mesma respiração pesada, mas os traços mais firmes, fechados. Tão sério até dormindo.

Meus dedos percorreram o cabelo dele, ajeitando devagar. E um sorriso escapou.

Será que era Diogo? Será que o jeito fechado vinha dele? Aquela postura séria, madura demais para a idade? Ri baixinho, mas o peito doeu.

Beijei os dois, um de cada lado, e sussurrei uma bênção que só eles ouviriam. Era minha forma de pedir per
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