Saulo Prado
Eu já sabia que a sentença estava ganha.
Mesmo com o juiz mantendo aquele ar enigmático, mesmo com as pausas longas e as expressões controladas ou mal disfarçadas da defesa. Bastava olhar para os rostos em volta, para os olhos que se voltavam, cheios de pesar, para dona Helena. Sentada ali, pequena, frágil, exposta. Sobrevivendo com menos do que merecia, com parte do seu benefício mensal tragado por juros abusivos de um banco que explorava a ignorância e a vulnerabilidade de gente c