Heloísa
Acordo antes do despertador.
O sol de Búzios já começa a riscar o chão do quarto, mas hoje a luz parece mais afiada, mais urgente, como um presságio do que está por vir.
Levanto-me e caminho direto para o espelho, meus pés descalços sentindo o frescor do piso.
Observo meu rosto, livre de qualquer traço da menina que chorava em silêncio por um homem que a chamava de "criança".
Hoje, meus olhos verdes estão gélidos, decididos, um abismo esmeralda que promete tanto quanto esconde.
Eu não v