A porta se abre, e a casa se enche de vozes.— Heloísa!A voz do meu pai vem primeiro, carregada, forte, cheia daquela alegria que sempre me desmonta. Eu me levanto no mesmo instante.— Pai.Ele larga a pasta no chão antes mesmo de fechar a porta e cruza a sala em três passos largos. O abraço vem apertado, inteiro, daqueles que esmagam costelas e fazem o mundo caber ali dentro por alguns segundos.— Minha filha… — ele diz baixo, a voz embargando só um pouco. — Finalmente em casa.Fecho os olhos por um instante. O cheiro dele — colônia conhecida, segurança, infância — me envolve. Não há cálculo aqui. Não há jogo. Só pertencimento.— Eu senti falta disso — confesso.Ele se afasta um pouco, segura meu rosto entre as mãos, me examina como se quisesse garantir que estou inteira.— Você está linda — declara, com orgulho explícito. — Mais forte. Mais você.Minha mãe surge logo atrás, os olhos já marejados.— Não faz isso, Carlos, eu ainda nem abracei — reclama, puxando-me para si em seguida.
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