Heloísa
O hospital possui um cheiro que se entranha na alma antes mesmo de aderir à roupa. É uma mistura estéril de antisséptico, café requentado e a estática pesada do tempo que se recusa a passar. Estou sentada na cadeira de plástico rígido ao lado da cama do meu pai há horas que já não sei contar, meus olhos fixos no monitor cardíaco como se pudesse decifrar a linguagem rítmica de seus picos e vales. Aquela linha verde é, agora, a única fronteira entre o meu mundo e o abismo.
Continua.
Por f