Heitor
Carlos recebe alta doze dias depois.
Doze dias em que eu aprendi a conviver com uma versão de mim mesmo que não reconheço. O homem que eu fui a vida inteira — decisivo, objetivo, capaz de separar o que sente do que precisa fazer — sumiu em algum lugar entre o corredor do hospital e a cama vazia da casa onde fico olhando para o teto às duas da manhã, tentando me lembrar por que as coisas tinham uma ordem antes.
Eu fico na casa deles durante os primeiros três dias porque Carlos pediu. Porq