Heitor
O escritório de Carlos cheira a couro antigo e uísque caro, mas hoje, o aroma familiar parece sufocante. É um santuário de poder e tradição, um lugar onde as decisões que moldaram Búzios foram tomadas, e onde, por anos, eu me senti em casa. Agora, cada objeto parece me julgar. Carlos, alheio à tempestade que se forma, me oferece um copo de seu uísque favorito, o gelo tilintando como um sino fúnebre.
— Então, Heitor, como andam as coisas? — Carlos sorri, um sorriso genuíno de pai orgulhos