Narrado por Léa
O quarto tem o tamanho exato do meu medo.
Cabe a cama, a mala meio aberta, a cadeira com o vestido que eu não deveria ter usado, e um silêncio grosso que cola na pele. Fico olhando para a tranca da porta como se fosse uma oração. Não é. Trancas atrasam perigos—não os apagam.
Preciso sair.
A palavra fica batendo na cabeça como martelo: sair, sair, sair. Não porque eu queira perder—eu não perco. Eu troco tabuleiros. E a Espanha deixou de ser um tabuleiro; virou um poço.
Abro a mal