CAPÍTULO 184.

Voltar para casa com Darina é como caminhar entre destroços. Ela entra primeiro, carregando consigo a mesma frieza que carrega desde que voltou. A porta do quarto dela se fecha sem estardalhaço, mas o som é violento dentro de mim. Fico ali, parado diante da madeira branca, como se fosse um túmulo. Um túmulo que eu mesmo construí. Um túmulo onde enterrei cada gesto de carinho que ela me deu. Cada olhar, cada palavra que não valorizei.

"Você me coloca em um pedestal e diz que eu sou o melhor..."

Lembro da música. De quando ela cantava sozinha no jardim, como se o mundo não a merecesse. Agora nem sequer consigo ouvir a própria respiração dela.

"Me leva ao céu até eu ficar sem fôlego... Me enche de confiança, eu digo o que estou sentindo... Despeja minhas palavras, me destrói até que não haja mais nada..."

A respiração dela era o que me ancorava. Aquele som suave no meio do caos. O que me faz falta agora não é só o toque. É a ausência. A ausência ensurdecedora de tudo que éramos.

Me viro,
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