CAPÍTULO 161.

Os meses que se seguiram à guerra passaram como vultos diante dos meus olhos. Vultos barulhentos, frios, mas intocáveis. A segurança ao meu redor era como grades invisíveis — a Bratva decidia onde eu podia ir, com quem podia falar, o que podia vestir. Depois de algum tempo, tudo afrouxou. E então, comecei a respirar outra vez.

Mas Eliyahu...

Ele sumiu.

Se antes ele desaparecia por dias, agora somia por meses. Me ligava uma vez por semana — uma vez — só para confirmar se eu estava “na linha”. Como se eu fosse um objeto numa prateleira, e ele apenas estivesse conferindo se ainda estava lá, limpo, intacto, obediente.

O que eu temia aconteceu. Virei exatamente o que ele sempre disse que eu era.

— Minha boneca.

A sua casa de boneca.

E agora ele nem se importa em brincar.

Quando chegaram as férias, ele não perguntou.

Apenas ordenou.

— Você vai para a Itália. Vai ficar com sua família. Dois meses. Comporte-se.

Disse isso como se estivesse me enviando para um internato, não para a casa dos me
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