O silêncio cortava o escritório de vidro como uma lâmina. O sol da manhã batia nos prédios de concreto da cidade, mas dentro da sala do 38º andar, o ar parecia pesado demais para respirar. Fernando não conseguia desviar os olhos do tablet em sua mão. As imagens, embora sem som, eram claras como água: sua secretária, Helena, saindo do prédio, o carro freando bruscamente… e o impacto.
Por dias, ele tentou se convencer de que aquilo tinha sido apenas um acidente. Circunstâncias infelizes,