Adam saía para correr todos os dias às cinco da manhã. Voltava suado, com os olhos perdidos na linha do horizonte, e mergulhava direto no chuveiro. Ana o esperava com café e pão quente comprado na padaria do bairro, o único lugar onde os rostos ainda eram desconhecidos e os olhares, desinteressados.
Por fora, estavam reconstruindo uma rotina.
Por dentro, apenas colando estilhaços.
Naquela manhã, Ana acordou com um sobressalto. Um pesadelo — Helena, sangue, gritos. A imagem se dissipou aos pouco