Continuação.
O caminho até a estalagem era tomado por fumaça e gritos. Cada passo que eu dava fazia o chão estremecer — o Submundo reagia como uma criatura ferida. Baltazar seguia à frente, em silêncio, enquanto o poder daquela explosão ainda vibrava nas paredes de pedra e no ar pesado.
Quando chegamos, o portão da estalagem se abriu sozinho, como se o próprio lugar reconhecesse quem entrava. A energia era densa demais, quase viva.
Selene, Alaric e Dorian já estavam lá, imóveis diante da porta entreaberta de um quarto. O brilho que saía dali parecia um fôlego divino — impossível de existir em meu reino.
Assim que me viram, os três se ajoelharam.
— Meu senhor... — disseram juntos, em uníssono, com as cabeças curvadas.
O título soou como um eco antigo, algo que não escutava há eras. Por um momento, não compreendi o motivo de o dizerem. A energia vinha de dentro daquele quarto, não de mim.
Empurrei a porta.
O ar me golpeou. Luz — pura, azulada, cortante — dominava tudo.