Aleksei Vasiliev
Conversamos sobre o cheiro de chuva antes da chuva. Sobre o barulho das ruas às cinco da manhã. Sobre a memória que o corpo guarda sem perguntar à cabeça. Eu ouvi cada frase como quem bebe água depois de atravessar deserto longo.
— Quando eu era mais nova… — ela disse — achei que amar era ficar cega. Andar no escuro, tropeçar, pedir desculpa por bater nos móveis. Hoje eu aprendi que amar é acender luz. No meu quarto. No meu escritório. Na minha cabeça. Você acende luz para mim