Aurora Mancini
À noite, a cobertura acendeu as luzes como quem respira por mim. Entrei na suíte sem preâmbulo. Ele estava de joelhos. De novo. O corpo inteiro dizendo sim, mesmo calado.
— Coleira. — ordenei.
Ele estendeu o pescoço. Fechei a fivela com firmeza. A guia cantou metal. Levei-o até o pilar. Ajustei as algemas.
— Abra as pernas. Mais. Assim. — Minha voz encontrou o timbre que governa. Eu precisava dele para esconder o tremor que subia pelos meus punhos.
Peguei a vela. A chama abriu caminho nos meus dedos. Deixei cair gotas quentes sobre o peito dele. Uma. Duas. Três. O músculo tremeu. Ele não pediu menos. Eu não dei mais. Respirei perto da boca dele. O hálito dele encontrou o meu. Recuei.
— Palavra de segurança.
— Noite. — disse, firme.
— Boa memória.
Apoiei as mãos nos ombros dele. Senti o peso do mundo ficar leve por um instante. E odiei gostar disso. Odiar era fácil. Gostar é que complica.
A próxima noite foi a mais perigosa, porque eu já sabia o caminho do prazer e mesm