Aleksei Vasiliev
Existem noites em que o silêncio não é apenas ausência de som, mas presença de algo invisível. Eu aprendi a identificar esses sinais muito antes de Aurora nascer.
O mundo muda de cheiro, de ritmo, de sombra. E naquela noite, enquanto a seguia a distância, percebi: não estávamos sozinhos.
Aurora caminhava apressada até o carro. O salto firme contra o piso do estacionamento ecoava como uma sinfonia de poder. Para qualquer um, ela parecia intocável. Para mim, ela parecia marcada.
Não era paranóia. Havia homens demais reparando onde não deviam. Olhares que não desviavam. Gestos calculados. O reflexo de um celular virado para ela, não para uma tela. O sussurro abafado de dois desconhecidos na calçada próxima.
Aurora não percebeu. Nunca percebe. Ela acredita que o perigo é abstrato, que só existe dentro dos contratos e traições de conselhos de administração. Mas eu sei, o perigo tem cheiro, tem pele, tem fôlego irregular.
Eu a segui até o edifício da empresa. Fiquei do out