Aurora Mancini
Duas noites. Bastaram duas noites para a minha rotina, alinhada por anos, ganhar fendas que eu não sei disfarçar.
Passei a vida acreditando que controle é hábito. De dia, a Ceo que assina contratos e decide destinos. À noite, a Senhora que veste couro, escolhe a guia e manda baixar os olhos. Era simples. Um roteiro que eu escrevi e dirigi.
Até Aleksei.
Na primeira dessas duas noites, ele já me esperava como uma oração repetida. Ajoelhado. Coleira sobre a mesa. Olhos baixos. Eu deveria ter sentido a velha satisfação. Senti algo mais. Raiva de mim por desejar o que não cabe em um jogo.
— Você não cansa? — perguntei, cruzando os braços.
— Nunca daquilo que é meu vício. — respondeu, sem pressa.
O vício era meu também. Eu puxei a guia, arrastei o corpo dele até a cruz de madeira. Fivelas apertadas. Pernas afastadas. Pele esticada. Peguei o flogger e a sala respirou comigo.
Marquei ombros, coxas, peito. Estalos limpos. Ele não quebrou o olhar. Não buscou perdão. Ofereceu ent