Aleksei Vasiliev
Levei café para a sala. Não para convencer. Para lembrar que a vida acontece entre guerras. Ela sentou no braço do sofá. O cabelo caiu num ombro. O batom de batalha tinha sido removido. Ficou a boca de mulher. A que beijo nos sonhos e recuso na vigília. Coloquei a xícara perto da mão dela. Não encostei.
— Se eu disser que foi só uma experiência ruim… — ela começou — você aceita e me deixa em paz?
— Não.
— Não é resposta aceitável.
— É a única sincera.
Ela encarou a janela. A cidade parecia pedir desculpas pelas luzes. Eu fiquei quieto. O silêncio, às vezes, é a ponte.
— Não funciona. — ela disse — Eu tentei. Eu marquei. Eu preparei tudo. Entrei na sala. Fiz o que sempre fiz. E foi como se alguém tivesse trocado a música. O corpo não veio.
— Eu sei.
Ela virou de volta.
— Odeio quando você diz isso.
— Digo porque é verdade. Digo porque te vi procurar o fogo e encontrar cinza. Digo porque isso também me arde.
Ela ficou alguns segundos sem piscar. Não era charme. Era cál