Aurora Mancini
Acordei com a estranha sensação de que o mundo estava… suspenso. O silêncio era tão denso que quase doía nos ouvidos. Por alguns segundos, não reconheci o ambiente. Não era a minha cama de lençóis de seda, nem o quarto claro da cobertura. O teto, pintado em tons mais escuros, as correntes bem organizadas na parede, o banco acolchoado no canto…
Meu coração acelerou.
A suíte de dominação.
O cheiro da noite anterior ainda pairava no ar… couro aquecido, perfume misturado ao suor, vinho derramado em algum ponto do tapete. E junto desse cheiro, flashes me atingiram como socos, o olhar dele queimando sob minhas ordens, a boca dele respondendo a cada comando, o corpo dele entregue de uma maneira que nenhum sub jamais ousou.
Virei lentamente a cabeça.
Ele estava lá.
Aleksei.
Nu. Algemado ao pilar central, como se fosse uma escultura viva. O cabelo prateado caía sobre os ombros, o corpo imóvel, mas não vencido. Não parecia cansado nem arrependido. Pelo contrário, os olhos estavam