Capítulo 40 - Conversar.
Dante Bianchi
Dois dias.
Setenta e duas horas.
Quatro mil, trezentos e vinte minutos.
Mas quem tá contando, certo?
A verdade é que desde o momento em que ela saiu, batendo a porta como se estivesse fechando tudo o que éramos, o silêncio dela virou o som mais alto da minha vida.
Tentei me ocupar. Treinar, ler relatórios, resolver pendências com o conselho da família… Mas tudo que eu fazia acabava voltando pra mesma maldita imagem: Marina. O jeito que ela me olhou quando descobriu a verdade. O olhar que misturava decepção e raiva, como se eu tivesse traído não só a confiança dela, mas algo mais profundo — talvez o pouco de paz que ela ainda acreditava existir no mundo.
E agora, dois dias depois, eu estava sentado no escritório, olhando pra taça de vinho que já devia ter esquentado há uma hora, quando Donatello entrou sem bater, como sempre.
— Você parece um cadáver elegante, fratello. — ele disse, jogando o corpo na poltrona da frente. — E o pior: o tipo de cadáver que ainda pensa nela