A manhã cortava o horizonte como uma lâmina e ainda assim, por algum motivo, eu não sentia o mundo começar — sentia apenas a presença dele. Saí do quarto como quem atravessa uma linha invisível; cada passo tinha peso. A viagem tinha deixado rastros: não era apenas o cansaço, era algo que o ambiente não conseguia disfarçar. Havia eletricidade pairando entre nós.
No corredor, Dante me esperava encostado na parede, a gravata solta, o paletó por cima do ombro. Ele não olhou de imediato; prolongou a