Mundo de ficçãoIniciar sessão— Ei, menina bonita… em que planeta você estava?
Levei um susto ao ouvir a voz do Patrick atrás de mim.
— Acho que ainda na Terra — respondi, sorrindo. — Só um pouco longe dela.
Ele riu baixo.
— Isso explica não ter me ouvido chegar.
Patrick se aproximou devagar, colocando as mãos nos bolsos.
— Cadê a Dana?
— Falando com o namorado.
— Então acho que posso roubar sua companhia por alguns minutos.
Sorri de lado.
— Talvez você se arrependa em cinco minutos e queira fugir daqui.
— Acho difícil.
Ele sentou ao meu lado no banco de madeira do jardim e me olhou com uma calma quase injusta.
— Na verdade, desde que te vi lá dentro, estou tentando entender por que minha irmã escondeu você de mim esse tempo todo.
Meu coração tropeçou dentro do peito.
— Não acho que ela tenha escondido. Acho que… simplesmente nunca aconteceu.
— Uma pena.
Evitei olhar diretamente para ele.
— Não vejo como me conhecer antes faria alguma diferença na sua vida.
— E quem disse que não faria?
Meu silêncio pareceu divertir Patrick.
— Então me conta alguma coisa sobre você — ele disse. — O que gosta de fazer? Tem namorado? Algum garoto ocupando seus pensamentos?
— Ler livros. E não.
Ele ergueu uma sobrancelha.
— Não para qual pergunta?
— Para as duas.
Patrick sorriu daquele jeito perigoso que fazia meu cérebro esquecer como funcionava normalmente.
— Interessante.
— E você? — perguntei rapidamente, tentando mudar o foco da conversa antes que meu coração resolvesse sair pela boca. — Além de traumatizar garotas tímidas?
Ele riu.
— Futebol. Esportes em geral. Estou fazendo faculdade de Educação Física… e antes que pergunte: também não namoro ninguém.
A informação me atingiu de um jeito vergonhosamente animador.
Embora eu soubesse que aquilo não significava nada.
Garotos como Patrick não olhavam para garotas como eu.
Não daquele jeito.
— Você tem um sorriso bonito — ele comentou de repente.
Pisquei, surpresa.
— O quê?
— Seu sorriso. É bonito.
Desviei os olhos imediatamente.
— Gentileza sua.
— Não foi gentileza.
Meu estômago virou completamente quando ele continuou:
— Aliás, como uma garota como você está solteira?
Ri de nervoso.
— Talvez porque eu não seja tão interessante quanto você imagina.
Patrick me observou por alguns segundos, como se tentasse entender alguma coisa.
— Acho que você só não percebe quando estão olhando para você.
— E por que olhariam?
Ele soltou uma risada desacreditada.
— Você realmente não faz ideia, né?
Antes que eu pudesse responder, Patrick levantou do banco e estendeu a mão para mim.
— Vem comigo.
— Pra onde?
— Só confia.
Isso definitivamente parecia o começo de um sequestro emocional.
Ainda assim, segurei sua mão.
Ele me levou até a área gourmet próxima da piscina e entrou comigo no pequeno banheiro externo da casa. Meu coração estava tão acelerado que comecei a desconfiar que poderia morrer ali mesmo.
— Patrick…
— Calma.
Ele me posicionou em frente ao espelho.
Então ficou atrás de mim.
Nossos olhos se encontraram através do reflexo.
— Me explica uma coisa, Ane — ele disse baixinho. — Como uma garota tão bonita consegue não enxergar isso?
Minha respiração falhou.
Porque ninguém nunca tinha falado comigo daquele jeito antes.
Nem olhado para mim daquele jeito.
— Eu…
Patrick se aproximou um pouco mais.
— Não sei quem colocou tantas inseguranças na sua cabeça… mas essa pessoa mentiu pra você.
Meu coração estava completamente fora de controle.
Ele virou meu corpo devagar até que eu estivesse de frente para ele.
E então ficou ali.
Perto demais.
Os olhos verdes presos nos meus.
Eu sabia o que estava prestes a acontecer.
E queria desesperadamente que acontecesse.
Patrick inclinou o rosto na minha direção…
— ANE!
A voz da Dana atravessou o universo no pior momento possível.
Patrick fechou os olhos por um segundo, claramente segurando a risada.
Eu queria morrer.
Ou matar minha melhor amiga.
Ainda sorrindo, ele encostou a testa na minha por um breve instante antes de se afastar.
— Acho que fomos interrompidos.
E saiu do banheiro como se não tivesse acabado de destruir completamente meu estado emocional.
Quando encontrei Dana perto da piscina, ela me encarou imediatamente com um sorriso suspeito.
— Certo… agora você vai me contar exatamente por que meu irmão saiu daquele banheiro parecendo satisfeito demais e você apareceu logo depois com cara de quem perdeu o doce na calçada.
— Dana… corre.
Ela arregalou os olhos.
— Por quê?
— Porque eu vou te bater.
Dana soltou um grito e saiu correndo pelo jardim enquanto eu ia atrás dela.
E, pela primeira vez em muito tempo, rir parecia fácil.
Depois que nos cansamos, caímos na grama do jardim ainda sem fôlego.
Então contei tudo o que tinha acontecido.
Cada detalhe.
Inclusive o quase beijo que minha melhor amiga interrompeu no pior momento possível.







