Nosso começo

_ Não foi apenas um beijo, Dana… foi O beijo.

Tentei explicar para minha amiga no dia seguinte sobre o encontro com Patrick.

Sabe aquele tipo de fogos de artifício de final de Copa do Mundo quando o Brasil é campeão?

Então… eu senti todos eles ontem quando ele me beijou.

A realidade simplesmente superou qualquer expectativa que eu pudesse ter criado.

_ Ele foi tão incrível… — suspirei.

_ Eca… pelo beijo e de nada — disse Dana, cruzando os braços.

_ Oi?

_ Ah, então o cupido aqui não tem nenhum mérito?

Parei um instante para pensar.

Ok… talvez ela tivesse alguns.

Foi ela quem ligou pra ele na sorveteria. Foi ela quem entregou informações demais. Foi ela, indiretamente, quem empurrou tudo aquilo pra acontecer.

_ Tá bom, senhora cupido… obrigado.

_ Aleluia! Até que enfim essa ingrata reconhece meus esforços — ela dramatizou.

Revirei os olhos.

_ Sério, Dana… tem certeza que não quer fazer teatro? Com esse talento todo pro drama, Hollywood te chama em dois meses.

_ Cala a boca e continua contando — ela disse, animada. — Já tomei Dramim emocional, pode falar. Vou até enjoar, mas não vou vomitar.

Ri.

_ Você é impossível…

_ E você me ama. Agora fala.

_ Tá bom…

Respirei fundo.

_ Ele não me pediu em namoro nem nada… mas pediu uma chance. Pra gente se conhecer de verdade.

Parei por um segundo.

_ E pra mim… isso já era tudo.

Até algumas semanas atrás, eu jamais imaginei que algo com ele fosse possível.

E agora… parecia real demais pra caber em mim.

Hoje acordei com uma mensagem dele.

Um “bom dia” simples.

E a frase de que ele tinha dormido bem porque sonhou com um anjo.

Eu.

Eu não sabia se ria ou se chorava.

Eu estava me perdendo nele… e, ao mesmo tempo, me encontrando.

---

Eu o amo de uma forma que ainda não sei nomear.

Nunca tive um exemplo de amor dentro de casa.

Mas, com ele… eu queria construir algo bonito.

Nos dias mais difíceis, era a lembrança dele e a amizade com Dana que me impediam de desabar completamente.

Eu não sabia o que seria de mim sem os dois.

---

Cada dia em casa ficava mais pesado.

As brigas entre minha mãe e Jonathan estavam mais constantes, mais agressivas.

Ele já não tinha respeito por ela — e, naquele ritmo, parecia não ter limites.

Hoje de manhã, a discussão foi tão intensa que eu achei que ele poderia partir para agressão.

Jonathan culpava minha mãe por tudo: pela vida que levava, pelo vício, pela falta de trabalho.

Mas ele não via que também era resultado das próprias escolhas.

Eu não suportava mais aquele ambiente.

Agora que tinha terminado o ensino médio, precisava trabalhar. Precisava sair dali.

Não queria depender de ninguém.

Em poucas semanas eu faria dezoito anos.

Eu e Dana já tínhamos até conversado sobre morar juntas quando a faculdade começasse.

E, no fundo, eu sabia… parte da decisão dela era por mim.

Pra não me deixar sozinha.

Meu pai, ao menos, tinha feito uma coisa certa: garantir minha educação. Eu tinha uma poupança guardada pra faculdade.

---

_ Ane… você devia ser astronauta — disse Dana.

_ Por quê?

_ Porque você vive no mundo da lua.

_ E não é verdade? — ela provocou.

Revirei os olhos.

_ Eu só estava pensando… não vejo a hora de sair de casa.

_ Você sabe que pode morar comigo, né? Meus pais te adoram.

_ Você ficou maluca? Eu não quero ser peso pra ninguém. Eu quero me virar sozinha.

Pausei.

_ E também não quero morar na mesma casa do meu futuro namorado ainda…

Ela sorriu.

_ Tá bom… eu entendo.

_ Ainda falta pouco — ela disse, animada. — Assim que as férias acabarem… faculdade. Vida nova.

---

Estávamos no quarto dela quando vi Patrick passar no corredor.

Ele parou ao me ver.

E sorriu.

_ Posso entrar? — perguntou.

_ Oi, irmãozinho — disse Dana. — Claro que sim. Mi quarto, tu quarto.

Ela riu e se levantou.

_ Vou deixar vocês sozinhos, preciso ligar pro Adam.

E saiu.

Ficamos sozinhos.

O silêncio entre nós não era desconfortável.

Era carregado.

_ Oi, Ane… como você tá? — ele perguntou, sentando na beira da cama.

_ Bem… — respondi. — Não vou te perguntar o mesmo. Fiquei sabendo que você teve uma ótima noite.

Ele sorriu de canto.

_ Pois é… tem uma garota que não sai da minha cabeça. Então fica difícil ter uma noite ruim.

Meu coração acelerou.

_ Patrick… eu…

Ele me interrompeu, encostando levemente o dedo nos meus lábios.

_ Eu gosto de você, Ane. Muito.

Respirou fundo.

_ Eu sei que você queria ir devagar… e ainda quero isso. Mas eu não quero te ver distante de mim também.

Ele me olhou com mais intensidade.

_ Eu sei que é egoísmo… mas eu preciso saber se você quer isso tanto quanto eu.

Pausa.

_ Você quer ficar comigo?

Engoli em seco.

_ Sim… eu quero. Eu quero muito você, Patrick.

Ele sorriu.

E naquele momento… parecia que tudo tinha parado.

Fechou a porta com calma.

E voltou a me olhar.

_ Minha… você é minha, Ane.

Meu corpo inteiro reagiu àquilo.

_ Sim… — sussurrei. — Eu sou sua.

Ele se aproximou devagar, como se estivesse me dando tempo de voltar atrás.

Mas eu não queria voltar atrás.

Eu só queria ele.

E ele também parecia querer isso.

Me puxou para perto com cuidado, e o mundo ao redor perdeu nitidez.

Era como se só existissem os dois ali.

O resto… desapareceu.

E naquele instante, eu não sabia onde terminava o sentimento… e onde começava o desejo.

Só sabia que não queria que acabasse.

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App