Dias perfeitos

Tem uma música de Sandy & Junior que descreve exatamente o que sinto toda vez que vejo o Patrick: “Esse turu, turu, turu aqui dentro, que faz turu, turu quando você passa, meu olhar decora cada movimento, até seu sorriso me deixa sem graça…”

Parece sempre um princípio de ataque cardíaco toda vez que ele aparece e me dá um sorriso.

Depois da tarde do nosso “quase beijo”, eu quase não o vi mais. Ele na faculdade, eu no último ano do ensino médio… a não ser aos domingos, quando eu me esgueirava pontualmente até a casa da Dana.

Mas as férias de fim de ano estavam chegando, e eu soube por ela que em uma semana ele viria pra casa.

Isso fez minhas expectativas — e o frio na barriga — aumentarem perigosamente.

_ Ane? Ane…

Voltei meu olhar para minha amiga, que me encarava como se tivessem nascido galhos na minha testa.

_ Em que planeta você estava nesse momento? Estou há séculos te chamando e você não me ouve.

Ah. Esqueci de dizer: Dana é a rainha do exagero.

Tipo quando estávamos nos arrumando para a festa de encerramento do ano letivo, no sexto ano do fundamental, e a unha do dedinho do pé lascou um pouquinho — nem dá pra chamar de quebra — e ela fez um espetáculo tão grande que acabamos não indo à festa.

Então, quando ela diz “há séculos”, na prática significa uma vez só.

_ Oi, desculpa… eu estava pensando que a única matéria que ainda preciso de pontos pra passar é geografia — respondi.

Não sei se ela engoliu a desculpa, mas decidiu ignorar.

Estávamos no refeitório da escola, com Joana, Pedro e Natanael. Éramos amigos desde o primeiro ano do ensino médio e seguimos juntos desde então.

Quando entrei nessa escola, tive uma queda pelo Nate. Ele era lindo. Claro… não tanto quanto o Patrick (agora), mas na época ele era minha referência de beleza máxima.

O interessante de ter 17 anos é que cada paixão vem com uma trilha sonora.

Quando achei que estava apaixonada pelo Nate, nossa música — segundo eu, porque ele não sabia de nada — era “Amor I Love You”,da Marisa Monte.

O que dava munição infinita pra Dana me zoar.

Era só o Nate aparecer que ela começava a cantar: “Deixa eu dizer que te amo…”

Ele não entendia nada, e isso deixava a Dana ainda mais feliz.

Mas o mais engraçado é que agora que não gosto mais dele… ele resolveu demonstrar interesse por mim.

Vai entender.

_ Estamos falando sobre como não concordamos com a ideia da festa de formatura proposta pela Fabrícia — disse Joana. — Poderíamos pegar nossos diplomas e fazer uma festa própria. O que você acha?

_ Super concordo! — respondi. — Jesus, ela não se contenta em se achar a rainha da escola e interferir em absolutamente tudo? Ainda quer decidir como vai ser nossa festa?

_ Isso aí, garota! Vamos comemorar nossa libertação do ensino médio em alto estilo — disse Joana.

_ E como seria isso? — perguntei.

_ Boate — respondeu ela, direta.

_ Tá fumando maconha, Joana?

_ Espera, Ane, temos um plano — disse Dana.

_ Ah… claro que têm.

_ Na verdade temos — disse Nate.

_ Meu irmão é amigo do segurança da boate Êxtase. Ele consegue nos colocar lá.

_ Ah, ótimo… pelo menos ninguém falou em identidade falsa — ironizei.

_ Na verdade, essa foi minha primeira ideia — completou Dana.

Olhei para Dana. Às vezes eu juro que essa menina caiu de cabeça quando nasceu.

_ Não vai falar nada, Ane? — provocou ela.

Bati a testa na mesa.

_ Menina… desisto de você.

_ Desiste nada, você me ama.

_ Só às vezes — respondi.

_ Então, gente… vamos ou não vamos? — perguntou Pedro.

_ Ok. Já entendi que sou voto vencido… então vamos — cedi.

_ Eba! — Dana comemorou tão alto que chamou atenção do refeitório inteiro.

_ Grita mais alto, Dana. E aproveita e explica pra todo mundo o motivo da sua alegria — falei.

Ela me mostrou a língua.

Os dias passaram rápido. E, como eu já imaginava, a ideia da festa na boate não foi abandonada.

Dana iria com Adam. Nate, Pedro e Adam já tinham dezoito anos. As infratoras da lei seriam eu, Dana e Joana.

Joana era apaixonada por Pedro há anos, então sobrava eu… e Nate.

E eu não gostava nem um pouco do rumo que isso estava tomando.

O plano era simples: pegar o canudo, tirar fotos com família e professores, dar um “perdido” nos pais com a desculpa de um encontro… e no meu caso, o encontro seria com Nate.

Depois disso, fuga para a boate.

Daria certo porque, assim como meus pais conheciam Nate e sua família, os pais da Joana conheciam os de Pedro. E Dana… bem, Dana nem precisava de desculpa.

Agora só faltava decidir onde iríamos nos trocar.

Foi aí que Pedro teve a brilhante ideia: sua casa.

Os pais dele viajariam logo após a formatura. Na prática, ele quase não ficava em casa mesmo.

Tudo acertado.

Agora só faltava um dia para colocarmos o plano em ação.

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