Ela Quebrou o CEO

Ela Quebrou o CEOPT

Romance
Última atualização: 2026-04-04
Evilyn Sá   Atualizado agora
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Índice

Ele construiu um império. Frio. Intocável. Inquebrável. Até ela chegar. Quando Adrian Volkov cruza o caminho de uma mulher que deveria ser apenas mais uma funcionária invisível, algo impossível acontece: pela primeira vez, ele perde o controle. Ela não deveria chamar sua atenção. Não deveria desafiá-lo. E definitivamente... não deveria ser capaz de afetá-lo. Mas ela é. E quanto mais ele se aproxima, mais algo dentro dele começa a ruir. Só que há um detalhe que ninguém sabe: Ela não é apenas diferente. Ela é perigosa. Existe algo nela que destrói tudo o que tenta se aproximar… sentimentos, certezas... pessoas. E ainda assim, o homem que nunca amou... é o único que não consegue se afastar. Entre segredos enterrados, desejos proibidos e um vínculo que não deveria existir, uma verdade começa a emergir: Ela não entrou na vida dele por acaso E ele pode ser a única coisa capaz de sobreviver a ela... ou de ser completamente destruído No fim, só uma pergunta importa: o que acontece quando a única mulher capaz de quebrar um homem... é também a única que pode salvá-lo?

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Capítulo 1

INVISÍVEL

Eu aprendi cedo que algumas pessoas não nasceram para serem vistas.

Eu era uma delas.

No meio de dezenas de funcionários perfeitamente alinhados, roupas impecáveis e sorrisos treinados, eu era só mais um rosto esquecível — do tipo que você olha... e esquece logo em seguida.

Sempre foi assim. E, por muito tempo, eu achei que isso era uma bênção. Se você não é vista, os seus erros também não são vistos. O modo deselegante que você anda ou a forma como se senta, desajeitada e sem postura. Nunca me preocupei com isso... até começar a perceber que não era normal.

Porque as pessoas não apenas me ignoravam... elas me desprezavam. Evitavam ficar perto de mim, como se, de alguma forma, sentissem.

Como se soubessem...

que eu era digna desse desprezo.

Respirei fundo ao entrar no prédio da Volkov Industries, sentindo o peso do lugar antes mesmo de atravessar a porta de vidro.

Ali dentro, tudo funcionava perfeitamente.

Pessoas não erravam.

Não atrasavam.

Não questionavam.

E, acima de todos...

estava ele.

Adrian Volkov.

O homem que ninguém ousava encarar.

O homem que nunca perdia o controle.

O homem que...

parou.

E olhou diretamente para mim.

O ar faltou nos meus pulmões por alguns segundos.

Ele havia me notado?

Andei devagar até parar diante dele. Meu coração batia tão forte que parecia que podia pular da minha boca e pulsar diretamente nas minhas mãos.

Ele realmente estava me observando...?

Foi então que uma voz feminina, indelicada, soou perto do meu ouvido.

— Samantha...

Pisquei duas vezes, voltando à realidade. Olhei para a mulher que havia chamado meu nome. Eu a conhecia apenas superficialmente: Suzana Liveston, a secretária pessoal de Adrian.

Sempre maquiada em excesso, os cílios mais pareciam a penugem de uma ave a cada piscada. Os cabelos loiros eram lisos, tão alinhados que pareciam paralisados, de tanto produto que ela devia usar para mantê-los intactos.

Ela sorriu de forma falsa e disse, ríspida:

— Esse não é o elevador dos funcionários...

Meu coração gelou na mesma hora.

Olhei para a placa que brilhava acima da minha cabeça. Nela estava escrito: "EXECUTIVOS".

Soltei um suspiro envergonhado.

— Sinto muito... eu não vi...

Suzana fez um gesto com a mão, indicando que eu saísse. Dei um passo para trás, desejando que o chão se abrisse e me engolisse.

Assim que me afastei, o elevador se fechou à minha frente.

Fiquei parada por alguns segundos, me recuperando da gafe que eu cometi. É claro que ele jamais olharia para mim. Adrian Volkov não era apenas bonito. Ele era o tipo de homem que fazia o ambiente inteiro mudar... sem dizer uma única palavra.

Alto — facilmente acima de 1,90 — com uma postura impecável, ele carregava o corpo como alguém acostumado a ser obedecido. Cada movimento era preciso, controlado... perigoso.

Seus cabelos eram negros, sempre alinhados de forma aparentemente casual, mas calculada — como tudo nele. Alguns fios caíam levemente sobre a testa, suavizando o rosto... mas não o suficiente para torná-lo menos intimidador.

Os olhos eram o que mais prendiam.

De um cinza profundo, quase frio demais para ser humano, eles não apenas olhavam — eles avaliavam, dominavam, desmontavam.

Quem sustentava aquele olhar por muito tempo... perdia.

O maxilar era marcado, rígido, como se tivesse sido esculpido para nunca demonstrar fraqueza. A barba por fazer, perfeitamente negligenciada, dava a ele um ar ainda mais bruto... mais perigoso.

Os lábios, firmes e raramente curvados, carregavam um tipo de silêncio arrogante — como se sorrisos fossem um privilégio que ele não concedia facilmente.

Sempre vestido em ternos sob medida, escuros, que moldavam perfeitamente seu corpo, Adrian parecia pertencer mais ao poder do que ao mundo comum. O tecido caro não era ostentação — era extensão da autoridade dele.

Enquanto eu...

Meu cabelo quase sempre está preso de qualquer jeito, em um coque que mal se sustenta até o fim do dia. Alguns fios escapam, caem sobre meu rosto, e eu não arrumo. Nunca vejo motivo.

Minhas roupas seguem a mesma lógica: práticas, neutras, esquecíveis. Nada que chame atenção. Nada que convide olhares. Eu não me visto para ser notada — me visto para não precisar pensar nisso.

Os óculos vivem escorregando pelo meu nariz, e eu os ajusto de forma automática, sem nem perceber. É quase um reflexo, como respirar... ou evitar contato visual.

Porque olhar nos olhos das pessoas exige algo que eu nunca tive paciência para oferecer: tempo.

Minha mente está sempre ocupada demais para isso.

Enquanto todo mundo parece preocupado com aparência, impressões, sorrisos ensaiados... eu estou analisando padrões, resolvendo problemas, organizando informações que ninguém mais parece perceber.

O mundo, para mim, sempre fez mais sentido assim.

Lógico. Estruturado. Previsível.

Diferente das pessoas.

Pessoas são... falhas.

Elas julgam, interpretam, distorcem. Dão importância a coisas inúteis e ignoram o que realmente importa. E foi observando isso que eu entendi cedo:

Beleza distrai.

Emoção confunde.

Mas inteligência... protege.

Então eu escolhi isso.

Escolhi ser boa no que faço.

Escolhi não competir por atenção.

Escolhi não ser vista.

Porque ser vista vem com um preço.

E eu nunca tive interesse em pagar por ele.

Ainda assim... às vezes, eu sinto.

Não é algo constante. Nem claro.

É mais como uma sensação passageira... um incômodo leve, difícil de nomear.

Como se houvesse algo em mim que não se encaixa nesse papel que eu mesma construí.

Mas eu ignoro.

Como ignoro quase tudo que não posso explicar.

Funciona. Sempre funcionou.

Depois da gafe no elevador, me afundei ainda mais nos meus pensamentos, ignorando o mundo ao redor. Entrei no meu setor, sentei na minha mesa e ali fiquei durante todo o trabalho.

Eu trabalho com dados.

É o tipo de resposta que costuma encerrar qualquer conversa — e eu gosto disso. Quanto menos perguntas, melhor.

Na prática, meu cargo diz que sou analista de dados estratégicos. Parece importante. Às vezes até soa interessante. Mas a verdade é bem mais simples... e bem menos visível.

Eu observo.

Enquanto todo mundo está ocupado falando, apresentando ideias, tentando ser notado em reuniões intermináveis... eu estou olhando para o que realmente importa: números, padrões, falhas.

Coisas que não mentem.

Meu trabalho é encontrar o que está errado antes que alguém perceba. Identificar riscos antes que virem problemas. Corrigir decisões... antes mesmo que sejam tomadas.

Eu cruzo informações que ninguém tem paciência para cruzar. Analiso detalhes que passam despercebidos. E, na maioria das vezes, encontro respostas que ninguém estava procurando.

E então eu escrevo.

Relatórios claros. Diretos. Sem emoção. Sem espaço para interpretação.

Eles sobem.

Passam por gerentes, diretores... e continuam subindo.

E, em algum momento, viram decisões importantes.

Decisões que salvam dinheiro. Evitam crises. Mantêm a empresa funcionando perfeitamente.

Mas o meu nome não sobe junto.

Nunca sobe.

Outras pessoas apresentam o que eu encontrei. Outras pessoas explicam o que eu já resolvi. Outras pessoas recebem o crédito por algo que eu vi primeiro.

E eu continuo ali.

Na mesma mesa.

Na mesma cadeira.

No mesmo silêncio.

E isso nunca me incomodou.

Reconhecimento é barulho. E barulho atrai atenção.

E atenção... sempre cobra um preço.

Eu não preciso disso.

Prefiro saber que vi algo que ninguém mais viu. Que entendi algo que passou despercebido por todos os outros.

Prefiro existir nos resultados.

Porque, no fim... é isso que importa.

Enquanto eu terminava de escrever o último relatório do dia, Alice Hale, uma das únicas amigas que fiz nesse lugar, se aproximou com aquele sorriso comum dela. Ela me cutucou:

— Soube que alguém tentou entrar no elevador do CEO hoje...

Suspirei alto demais.

— Quem?

— Disseram que foi uma mulher feia... — Ela balançou a caneta no ar, desenhando a mulher imaginária em sua mente. — Mas não sei quem deve ser.

— Ela não é tão feia... — resmunguei, me sentindo ofendida.

— Você viu quem foi? — ela perguntou, animada.

— Na verdade, não sei...

— Ah, é verdade... — Ela voltou para o lugar, desapontada. — Quase me esqueci que você é a desligada do mundo desse setor...

Revirei os olhos e voltei ao documento. Assim que terminei, encerrei meu horário, fechei o computador e peguei minhas coisas para sair.

Foi nesse momento que Suzana entrou no setor e disse o inimaginável:

— Samantha Whitmore?

Levantei o olhar, assustada.

— Sim?

Ela me analisou, claramente me reconhecendo do elevador.

— O CEO quer vê-la no escritório dele.

Todos no setor olharam ao mesmo tempo para mim, espantados.

— Eu?

— É você mesma.

Engoli em seco.

Como isso era possível?

Eu nunca fui chamada a lugar nenhum nos últimos cinco anos trabalhando aqui.

E uma coisa eu tinha certeza:

isso não era algo bom.

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