Você é Especial

Ele cumpriu.

Cumpriu exatamente o que disse.

Patrick me fez experimentar sensações que eu nunca tinha sentido antes — não só no corpo, mas também no coração. Era como se tudo dentro de mim estivesse aprendendo, pela primeira vez, o que era se apaixonar de verdade.

Eu estava feliz.

Feliz de um jeito novo, leve e intenso ao mesmo tempo.

Não era sobre posse. Não era sobre “pertencer”.

Era sobre descoberta.

Sobre dois jovens tentando entender o que estavam sentindo sem pressa de rotular, sem pressa de definir o mundo inteiro de uma vez.

Patrick me respeitava de uma forma que, para mim, era quase inacreditável. Mesmo com tudo o que sentia, mesmo com a intensidade que existia entre nós, ele manteve a palavra dele.

Ele não me pressionava.

Ele não me apressava.

E isso, de alguma forma, me deixava ainda mais envolvida.

Porque era diferente de tudo o que eu já tinha visto ou vivido.

_ Gente… poderiam devolver meu quarto?

A voz da Dana atravessou a porta e fez meu coração quase sair pela boca.

Em um reflexo rápido, tentei me levantar da cama e me vestir, mas Patrick me puxou de volta, rindo baixo.

_ Me solta, Patrick! Meu Deus… que vergonha! Eu esqueci completamente onde a gente está — murmurei, completamente constrangida.

Ele ria como se aquilo fosse a coisa mais engraçada do mundo.

_ Você fica ainda mais linda quando está envergonhada.

_ Isso não tem graça nenhuma!

_ Gente, sério… vocês vão ter que desinfetar meu quarto — a voz da Dana continuou do lado de fora. — Volto em cinco minutos. Se não abrirem essa porta, eu mesma abro!

Ouvi os passos dela se afastando.

Aproveitei o momento de distração e consegui finalmente me afastar dele para me vestir.

Mas eu sentia o olhar de Patrick em mim o tempo todo.

E isso me deixava ainda mais nervosa.

Ele se levantou da cama com calma e veio até mim.

Sem pressa.

Sem tensão.

Só ele… sendo ele.

_ Você é especial, Ane — disse, parando na minha frente. — Eu não disse isso oficialmente ainda, mas… você quer ser minha namorada?

Meu coração travou por um segundo.

Na minha cabeça, aquilo já era óbvio.

Mas ouvir em voz alta fazia tudo ganhar outro peso.

_ É o que mais desejo, Patrick… — respondi, sincera. — Mas eu preciso te dizer uma coisa.

Ele me olhou atento.

_ Talvez, quando você conhecer minha família, você mude de ideia.

Era a primeira vez que eu colocava aquilo em voz alta para ele.

A parte da minha vida que eu mais evitava.

Ele não respondeu de imediato. Só me observou com calma.

_ Eu não me apaixonei pela sua família — disse finalmente. — Eu me apaixonei por você. Só você.

Meu peito apertou.

_ Ane… eu só quero você.

E aquilo me desarmou por completo.

Uma lágrima caiu sem que eu percebesse.

Não era tristeza.

Era medo.

E também alívio.

_ Eu te amo, Patrick — sussurrei.

_ Eu te amo, Ane — ele respondeu.

Simples assim.

Sem pressa.

Sem peso.

Só verdade.

_ Espero que seja lá o que vocês estavam fazendo tenha terminado, porque eu preciso entrar no meu quarto!

Dana apareceu de novo, batendo na porta com força.

Patrick soltou uma risada e me olhou.

_ Minha… minha namorada — disse ele, baixo, como se estivesse testando o som da palavra. — Meu amor.

Ele me deu um selinho rápido e foi até a porta.

_ Pronto, senhora dona do quarto — disse ele, abrindo.

Dana entrou como um furacão.

_ Nossa, até que enfim! Nunca mais deixo vocês dois sozinhos no meu quarto!

Ela parou no meio do cômodo, olhando ao redor como se estivesse tentando montar um quebra-cabeça mental.

E então viu a cama.

Bagunçada.

Seu olhar foi direto para mim.

Depois para Patrick.

_ Sério… gente… na minha cama?

Eu quis morrer

Meu rosto queimava de vergonha.

_ Não aconteceu nada disso que você está pensando — falei rápido.

_ Ah tá… “conversaram” com a cama, então — ela cruzou os braços.

_ Dana… pelo amor de Deus!

Patrick riu.

_ Relaxa, Dana. A gente só estava conversando.

_ Conversando… claro — ela respondeu, desconfiada.

_ Ane… você pelo menos usou camisinha? — perguntou ela de repente.

Silêncio.

Total.

_ NÃO! — respondi imediatamente. — A gente não fez nada disso!

_ Ah… então foi só teste drive  — ela concluiu, satisfeita.

_ Já chega, Dana — Patrick interferiu, rindo. — Vai trocar esses lençóis e deixa a Ane em paz. Não tá vendo que ela tá constrangida?

Aquilo me surpreendeu um pouco.

Ele realmente estava me protegendo daquela situação.

Dana me olhou com aquele sorriso típico dela — meio arteiro, meio emocionado.

_ Tá bom… tá bom… futura cunhada oficializada.

_ Olá, eu ainda estou aqui — Patrick disse.

_ Ah, desculpa — Dana respondeu, sem nem parecer arrependida.

_ Ane, fica pro jantar. Quero te apresentar aos meus pais.

Aquilo fez meu estômago revirar.

Pais.

Realidade.

Oficialização.

_ Namorada? — Dana repetiu, animada.

Eu respirei fundo.

E decidi.

_ Eu fico.

_ Sério? — Patrick sorriu.

_ Sim… Dana, parabéns. Você foi promovida oficialmente a minha cunhada.

Ela abriu um sorriso enorme e me abraçou com força.

_ Eu sabia!

Patrick riu.

_ Eu ainda estou aqui, sabia?

_ Sabemos — respondemos juntas.

Ele me olhou por um instante, como se quisesse confirmar se eu estava bem.

Eu apenas sorri.

E ele saiu.

_ Assim que terminarem… vou estar no meu quarto — ele disse antes de fechar a porta, piscando pra mim.

E me deixou ali.

Com Dana.

E com um novo tipo de realidade começando a existir entre mim e Patrick — ainda leve, ainda recente… mas definitivamente real.

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