Surpresa na Boate

Tudo ocorreu como planejado.

Às 22h já estávamos dentro da boate Êxtase. E como conseguimos isso? Muito simples: durante o dia, agimos normalmente como qualquer formanda. À noite, demonstramos aos nossos pais toda nossa gratidão e alegria — afinal, graças a eles, aquele dia se tornaria possível.

E aqui entre nós… pais adoram ouvir essas coisas.

Depois da cerimônia tradicional, nos despedimos com a promessa de que até meia-noite estaríamos em casa.

Não sei por que essa famosa regra da Cinderela ainda existe. Como se depois da meia-noite a gente automaticamente virasse problema.

Enfim.

Agora estávamos em um lugar que eu, em mil anos, não acreditava que pisaria tão cedo. Não fazia muito meu estilo, mas… a gente vai nadando conforme a maré — ou o tsunami, no caso da Dana.

_ Ane, o que você gostaria de fazer primeiro? — perguntou Nate.

Nossos amigos mal chegaram e já tinham desaparecido em direção à pista de dança.

_ Achar um lugar pra sentar e beber alguma coisa. Uma coca, por exemplo.

Antes que ele fosse em direção ao bar, completei:

_ Nate… você sabe que isso não é um encontro de verdade, né? Então não precisa ficar grudado em mim.

_ Pode não ser ainda…

Ele terminou a frase e saiu andando em direção ao bar, me deixando de boca aberta.

_ O que esse garoto tá pensando, hein? — murmurei para mim mesma. — Tô vendo que me meti numa enrascada…

Olhei para a pista de dança. Mal dava para ver Dana e Joana com seus acompanhantes, já que tudo estava lotado. A luz baixa, o som alto, o corpo das pessoas se movendo como um único organismo caótico.

Eu tentava não me arrepender de estar ali.

Tentava… mas falhava.

_ Nada seria mais perfeito pra mim essa noite do que imaginar ser o motivo do seu lindo sorriso.

Essa voz fez meu coração errar completamente o ritmo.

Me virei.

E lá estava ele.

Patrick.

Meu mundo inteiro condensado em um único sorriso.

_ Patrick? Isso é uma coincidência ou fomos descobertas e você é o carcereiro que vai nos levar de volta? — brinquei.

Ele sorriu, e eu, inevitavelmente, sorri mais ainda.

_ Por incrível que pareça, bela dama… vocês não foram descobertas. Isso é apenas o acaso nos aproximando mais uma vez.

_ A Dana me disse que você não tinha conseguido chegar a tempo pra formatura…

_ E não consegui pra formatura — ele deu de ombros, com um brilho leve no olhar — mas para a travessura…

Ele piscou pra mim, e eu perdi por dois segundos a capacidade de pensar.

Antes que eu pudesse responder, Nate apareceu do nada — como se eu tivesse invocado.

_ Ane, sua bebida — disse ele, ficando ao meu lado de forma claramente possessiva.

_ Obrigado, Nate — falei, pegando o copo. — Já conhece o Patrick? Ele é irmão da Dana.

_ Na verdade, só de vista — Nate respondeu. — E aí, cara? Veio atrás da sua irmã? Ela tá com o Adam, seus pais consentiram.

_ Não, não foi bem pela minha irmã que vim aqui — Patrick respondeu, com um sorriso estranho.

Ele me olhou.

Direto.

Sugestivo.

E eu senti meu rosto esquentar.

_ Bom, espero que encontre quem veio procurar — disse Nate, colocando os braços sobre meus ombros.

Patrick sustentou o olhar por um segundo a mais do que deveria.

Sorriu de canto.

_ Já encontrei.

E então piscou pra mim.

De novo.

E saiu em direção ao bar.

Pensa em alguém que queria cometer um crime?

Sou eu, naquele momento, encarando o Nate.

_ O que deu em você? — perguntei.

_ Do que você tá falando?

_ Toda essa possessividade. Sério, Nate?

Ele deu de ombros, como se não fosse nada.

_ Vai beber sua coca agora ou vai deixar ela esquentar?

_ Nate… vamos fazer o seguinte. O plano era fingir um encontro pra entrar aqui. Plano concluído. Agora cada um faz o que quiser, ok? E eu não tô a fim de ficar aqui com você agora.

Peguei a bebida da mão dele e me afastei.

Eu nunca fui rude com ninguém.

Mas naquele momento… eu não me reconhecia.

E isso não era sobre o Nate.

Era sobre o Patrick.

E sobre o fato de que ele, justamente ele, tinha acabado de olhar pra mim como se eu fosse a única pessoa naquela boate inteira.

Com tantas pessoas ali dentro, encontrar Patrick era impossível.

O empurra-empurra era constante, o som ensurdecedor, e eu já começava a me sentir perdida. Não via ninguém conhecido.

Até que um cara com bafo forte de vodca tentou falar comigo.

Ignorei.

Continuei andando.

E então eu o vi.

Patrick.

Num sofá, com uma mesa cheia de bebidas à frente.

E uma garota no colo dele.

Parei.

Burra.

Burra, burra, burra.

Por que eu deduzi que ele estaria ali por mim?

Ele ria de alguma coisa que ela sussurrava no ouvido dele. Uma mão na cintura dela, confortável demais, íntimo demais. Ela inclinava o corpo, os cabelos escondendo parte do rosto dele enquanto beijava seu pescoço.

Senti meus olhos encherem de lágrimas.

Não podia ficar ali.

Era tortura demais.

Me virei para voltar, procurar Dana e ir embora.

Mas, antes de sair…

Olhei uma última vez.

E então aconteceu.

Os olhos dele encontraram os meus.

O sorriso dele morreu na hora.

Ele fez menção de se levantar.

Mas eu já não fiquei para ver.

Corri.

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