Arrependimento

Patrick

Em toda a minha vida, sempre tive garotas atrás de mim. Nunca me prendi a nenhuma específica, nunca namorei de verdade, mas também nunca enganei nenhuma delas.

Elas sabiam o que era: curtição. Nada sério.

E isso sempre foi suficiente.

Nenhuma delas despertou em mim a vontade real de conhecer alguém além da superfície.

Até a Ane.

Ela é naturalmente linda… e não faz ideia disso. E tem algo pior nisso tudo: ela é leve, ingênua de um jeito raro, e ao mesmo tempo intensa sem perceber.

Ela me faz sentir coisas que eu nunca soube nomear.

E eu me odeio por tê-la magoado.

Desde o primeiro dia em que a vi, eu tive certeza de que ela era diferente. E, pela forma como ela me olhou naquela primeira conversa, eu soube que não era só da minha parte.

Eu estava empolgado para vê-la depois de dias.

Mas então a vi na boate.

Com outro cara.

E algo dentro de mim simplesmente quebrou.

Não era lógica. Era ego, impulso… talvez medo.

Eu interpretei tudo errado. Achei que a conexão entre nós tinha sido só coisa da minha cabeça. E, no pior momento possível, eu quis provar para mim mesmo que ela não era tão especial assim.

Foi assim que eu estraguei tudo.

Naquela noite, eu não a provoquei — eu a feri.

E o pior: me feri junto.

Quando minha irmã me contou que elas estavam na sorveteria, eu achei que ainda poderia consertar as coisas.

Mas estava enganado.

O olhar da Ane… e as palavras dela… me mostraram o tamanho do estrago que eu fiz.

Ela não estava só magoada.

Ela estava fechando a porta.

E isso me apavorou de um jeito que eu não esperava.

Não sei quanto tempo vou levar pra conseguir isso, mas eu vou tentar.

Não vou desistir dela.

Durante uma semana, mandei flores todos os dias com um cartão pedindo desculpas.

Nenhuma resposta.

Depois mandei um ursinho com “sorry”.

Naquela noite, quando já estava deitado, o celular vibrou.

ANE

_ Oi… ainda acordado? Obrigada pelo urso e pelas flores.

Eu quase pulei da cama.

_ Oi. Tô sim. De nada… foi mais do que merecido.

Demorei alguns segundos antes de perguntar:

_ Ainda está brava comigo?

_ Não.

Respirei fundo.

_ Então me deixa te ver amanhã à noite.

Ela demorou um pouco para responder.

_ Tudo bem… onde pretende me levar?

_ Surpresa. Só esteja pronta às 19h, ok?

_ Tudo bem, Patrick… boa noite.

_ Boa noite, linda.

Fechei o celular com um sorriso que eu não conseguia controlar.

Foram os sete piores dias da minha vida.

Mas no fim deles… ela tinha falado comigo de novo.

---

Passei o dia inteiro ansioso.

Com medo de ela desistir.

De ela mudar de ideia.

De eu ter perdido qualquer chance que tivesse.

Às 18h, ela me mandou mensagem simples:

Formal ou casual?

Respondi apenas:

_ Confortável.

Sem dar mais detalhes.

---

Às 19h em ponto, eu estava na frente da casa dela.

Enviei mensagem:

_ Já estou aqui.

_ Me dá dois minutos, já estou descendo.

Sorri sozinho.

“Dois minutos de mulher nunca são dois minutos”, pensei.

Não buzinei. Fiquei esperando.

Não queria criar atenção desnecessária ali.

---

Quando ela apareceu, perdi o ar por um segundo.

Ane estava simples… e absolutamente impossível de ignorar.

Calça jeans preta, blusa branca levemente transparente com um top por baixo, cabelo solto, maquiagem leve.

Como se não estivesse tentando ser nada… e ainda assim fosse tudo.

_ Vamos? — ela disse.

Demorei um segundo a mais do que deveria para responder.

_ Vamos.

Abri a porta do carro para ela e segui para o meu lado.

---

Enquanto dirigia, percebi ela ficando mais quieta conforme nos afastávamos da cidade.

Até que o letreiro do parque apareceu.

E então… ela sorriu.

Um sorriso que fez todo o resto parecer irrelevante.

Ela apertou minha mão e praticamente me puxou para dentro.

_ Não acredito, Patrick! Isso é incrível… eu sempre quis vir num parque assim.

_ Eu teria te trazido antes se soubesse disso.

_ Vamos primeiro no tiro ao alvo! — ela disse, animada.

Perdeu todas as tentativas.

E fez biquinho.

Eu acertei na primeira.

Ganhei um urso em formato de coração e entreguei pra ela.

_ Agora o que quer fazer? — perguntei.

_ Pipoca.

Sentamos em um banco.

O silêncio entre nós não era desconfortável.

Era cheio demais.

_ Obrigado por me dar outra chance — falei.

Ela sorriu.

_ Não havia motivo pra não dar.

E foi aí que eu parei de pensar direito.

Porque quando ela sorria assim… eu esquecia tudo o resto.

_ Você é tão linda, Ane… — falei sem perceber o quanto estava indo longe demais. — Tem tantas coisas em você que eu gosto… seu sorriso, seu cheiro… sua boca…

Respirei fundo.

_ Sempre quis saber como seria o gosto da sua boca.

_ Patrick…

Ela sussurrou meu nome.

E aquilo foi o suficiente.

Me inclinei devagar, procurando nos olhos dela qualquer sinal de recuo.

Não encontrei.

E então eu a beijei.

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