Capítulo 160
Violet Jones
Meu avô, no topo da mesa como um rei antigo, soltou o ar devagar — um suspiro que pesava anos. Os olhos dele não fugiram dos meus. Quando falou, não alisou, mas também não me atravessou. Foi a voz que usava quando uma sala inteira estava prestes a estourar:
— O homem que você chama de tio… Albert Júnior… — ele pousou a taça, os dedos muito firmes no cristal — …é seu pai.
O som parou. Até o vento lá de fora pareceu prender a respiração. Olhei para Mason num reflexo antes de olhar para Albert.
No rosto do meu marido, nenhuma surpresa — apenas atenção e a velha prontidão para uma chacina.
No rosto de Albert… nada. Ele ficou encarando o próprio prato, o maxilar travado, o garfo imóvel como se ainda esperasse a autorização de alguém para viver.
A primeira coisa que senti não foi alegria, não foi alívio. Foi raiva. Bruta, antiga, sem nome.
— Vocês… — minha voz partiu em duas e eu colei as metades com força — …vocês estão brincando comig