Capítulo 4

A palavra minha ecoa na minha mente, repetindo-se como um sussurro insistente, fazendo meu coração bater mais rápido — não apenas de medo, mas de algo que não consigo nomear. Assustada… e, ao mesmo tempo, estranhamente curiosa.

Os lobos têm essa mania.

Quando sentem o cheiro de suas verdadeiras companheiras, quando reconhecem aquilo que é destinado a eles… pronunciam essa única palavra. Pequena. Simples. Mas carregada de um significado profundo, quase sagrado.

Observo-o se aproximar lentamente, cada passo calculado, como se estivesse lidando com algo frágil… como se tivesse medo de que eu fugisse ao menor movimento brusco.

E, sendo sincera… ele não está errado.

Mas algo não faz sentido.

Como ele sentiu meu cheiro?

Quando Eros me marcou à força, tudo em mim mudou. Meu cheiro desapareceu completamente, encoberto pelo dele, como se minha própria essência tivesse sido apagada. Era assim que funcionava… sempre foi assim.

E ainda assim… o lobo à minha frente me encontrou.

— Você está bem? — ele pergunta.

Sua voz é rouca, profunda… poderosa. Não é apenas um som — é uma presença. Como um trovão cortando o céu em silêncio. Há autoridade nela, força… experiência. A voz de alguém acostumado a liderar, a lutar… a ser seguido.

Um guerreiro.

Talvez até mais do que isso.

— Estou! — é a única coisa que consigo dizer, minha voz saindo mais baixa do que o normal.

Ele dá mais um passo.

E, finalmente, mesmo com a luz fraca da lua, consigo vê-lo melhor.

Ele não é como Eros.

Nem de longe.

Eros tem uma beleza quase perfeita, fria, calculada… quase angelical. Mas o homem à minha frente… é diferente. Real. Intenso.

Seus cabelos são medianos, ondulados, alguns fios caindo de forma despretensiosa sobre o rosto. Sua pele é morena, com um bronzeado natural que denuncia o contato com o sol — algo raro entre as paredes do castelo. A barba por fazer dá a ele um ar mais sério, mais bruto… mais verdadeiro.

E seus olhos…

Antes dourados, dominados pelo lobo… agora revelam um tom escuro, profundo, carregado de algo que não consigo decifrar.

Ele é… lindo.

Mas não de uma forma delicada.

Ele parece um príncipe… não de contos de fadas, mas de batalhas.

— Você está me olhando muito! — ele diz, e há um leve tom de humor em sua voz, quase quebrando a tensão entre nós.

Percebo então o que estou fazendo.

Desvio o olhar rapidamente, sentindo um leve calor subir pelo meu rosto. Levanto-me do chão com pressa, ajeitando meu vestido, tentando recuperar algum controle sobre mim mesma.

— Muito obrigada por me ajudar… mas eu preciso ir! — digo, apressada.

Me viro para sair, o impulso de fugir ainda gritando dentro de mim.

Mas não vou longe.

Ele segura meu pulso.

O toque é firme… mas não machuca.

E isso, por si só, já é estranho demais.

Não há dor.

Não há imposição.

Não há prisão.

É… diferente.

O calor que se espalha pela minha pele não queima como a marca de Eros. Não fere. Não corrói.

É um fogo suave… quase acolhedor.

Um convite silencioso para ficar.

Minha pele reage de forma traiçoeira, como se reconhecesse algo antes mesmo da minha mente aceitar.

Como se… quisesse aquele toque.

Tento me soltar, puxando o braço com um pouco mais de força, mas ele não cede. Seus dedos permanecem firmes ao redor do meu pulso, não agressivos… mas impossíveis de ignorar.

— Pra onde você vai? — ele pergunta, a voz mais baixa agora, porém carregada de curiosidade… e algo mais profundo.

Mordo os lábios, desviando o olhar por um instante, observando sua mão segurando meu braço. É inevitável perceber a diferença. Não há dor. Não há aquela ardência constante que me acompanha desde que fui marcada.

Pelo contrário…

É como se o simples toque dele aliviasse tudo.

E, por um segundo perigoso, eu quase cedo à vontade de ficar ali… só mais um pouco.

— Eu preciso ir para casa… tenho horário! — explico, tentando manter a voz firme.

Um riso baixo escapa dos lábios dele, quase incrédulo.

— Horário? — ele repete, arqueando levemente a sobrancelha. — Não é muito grandinha para ter horário?

Lanço um olhar sério em sua direção, o suficiente para fazê-lo soltar um suspiro, como se percebesse que aquilo não era uma piada.

— Eu quero te conhecer… — ele continua, agora mais sério, seus olhos fixos nos meus. — Saber quem é a minha companheira!

A palavra pesa no ar.

Companheira.

Quantas vezes eu sonhei com isso? Quantas vezes imaginei como seria esse momento?

Mas não assim.

Nunca assim.

— Olha… não tem muito o que saber sobre mim. — digo, desviando levemente o olhar. — E, sinceramente… acho melhor que você me rejeite!

As palavras saem, mesmo contra tudo dentro de mim.

Vejo a mudança imediata em sua expressão. Uma mistura de irritação e confusão atravessa seu olhar.

— Eu nunca irei rejeitar a minha companheira! — ele responde, firme.

E então… algo muda.

Seus olhos se desviam para o meu pescoço.

Para a marca.

O ar ao nosso redor parece ficar mais pesado.

Seus olhos voltam a brilhar em um dourado intenso, feroz. Seu lobo não está apenas à superfície agora… ele está furioso.

— Quem ousou marcar você? — sua voz sai mais grave, carregada de raiva. — Você quis isso? — ele aperta levemente meu braço, não o suficiente para machucar, mas o suficiente para mostrar a tensão que cresce nele. — Você deve estar sentindo dor!

Engulo em seco.

— É… complicado. — respondo, minha voz mais baixa agora. — Eu não tenho muito tempo pra explicar agora. — olho rapidamente na direção do castelo, mesmo que ele não esteja visível dali. — Se você quiser… eu volto amanhã. No mesmo horário… e te explico tudo!

Ele rosna baixo, o som vibrando no ar, fazendo um arrepio percorrer meu corpo.

Solto um suspiro, juntando o pouco de coragem que me resta.

— Por favor… — peço.

Por um instante, ele apenas me encara, os olhos dourados ainda intensos, como se lutasse internamente entre me manter ali… ou me deixar ir.

Então, lentamente… seus dedos afrouxam.

E ele me solta.

No mesmo instante, a ardência retorna, cruel, como se nunca tivesse ido embora. Minha pele queima, a marca pulsa… e, por um segundo, quase imploro para que ele me toque de novo.

Mas não posso.

— Amanhã! — ele diz, firme.

Assinto rapidamente, sem coragem de dizer mais nada.

E então eu corro.

Corro de volta para o castelo, com o coração disparado… e a sensação de que, a partir daquele momento… nada mais seria o mesmo.

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