Fugindo de mim.
ISADORA ALENCAR
Levantei-me da mesa como quem recolhe os cacos de si mesma.
Os braços cruzados sobre os seios, o rosto em chamas — de prazer ou vergonha, já não sabia mais distinguir.
O gosto dele ainda pairava nos meus lábios.
O corpo doía.
As pernas trêmulas, marcadas.
E a palma da mão dele… ainda gravada em vermelho vivo na minha pele. Uma lembrança cruel.
Como eu pude?
As lágrimas escorriam em silêncio. Sem alarde, mas com o peso de um abismo.
Abaixei-me para recolher as roupas espalhadas p