O SUSSURRO QUE FATURA A NOITE
A noite caiu sobre o vale como uma cortina de veludo pesado, denso o suficiente para abafar atĂ© mesmo o som dos prĂłprios pensamentos. A mansĂŁo parecia respirar junto com a escuridĂŁo â cada janela, cada corredor, cada porta parecia guardar um segredo que desejava finalmente emergir.
Amélia sentiu isso assim que atravessou o arco de pedra que levava ao påtio interno. Era como se a atmosfera tivesse ganhado vida, expandindo-se ao redor dela, envolvendo-a num abraço silencioso, mas urgente. Um arrepio percorreu sua pele, não de medo, mas de pressentimento.
Marco estava ali.
Ela nĂŁo o via, mas seu corpo sabia.
O Alfa sempre fora assim: presença antes mesmo de ser forma.
â VocĂȘ veio⊠â a voz dele emergiu da penumbra, grave e baixa, como um sussurro arrancado de uma fogueira prestes a se apagar.
Amélia ergueu o rosto, e somente então ele deu um passo adiante.
Marco surgiu como se a noite o tivesse moldado â alto, sombrio, elegante, com aquela aura dominadora qu