A Marca Que Queima, O Lobo Que Chama
A escuridĂŁo ainda repousava sobre nĂłs como um cobertor vivo, respirando junto com a floresta. A noite parecia mais densa do que eu lembrava â como se cada folha, cada sombra, cada sussurro carregasse um segredo que eu ainda nĂŁo estava pronta para ouvir. Mas o tempo nĂŁo pergunta se estamos prontas; ele simplesmente avança, abrindo caminhos ou devorando-os.
Eu sentia o peso de tudo que acontecera desde a invasĂŁo no territĂłrio. A sensação de algo errado corria como um arrepio contĂnuo pela espinha, e nĂŁo era apenas meu corpo reagindo: era Lyria, meu lobo, inquieta, avançando e recuando dentro de mim como se estivesse tentando romper a pele para olhar o mundo com os prĂłprios olhos.
âAlgo estĂĄ vindoâ, ela rosnava, e seu tom nĂŁo era de advertĂȘncia⊠era de reconhecimento. Como se o que estivesse se aproximando fosse parte de nĂłs, mas ainda assim perigoso.
Marco caminhava ao meu lado, a respiração firme, o passo controlado, porém eu o conhecia bem demais p