— Quero vir pra cá?
completei, direto, como quem testa uma hipótese.
— Quer vim pra cá?
Ele repetiu irônico.
— Você não pode estar falando sério...
ele soltou, quase rindo, nervoso.
— Isso não faz sentido nenhum.
Virei o rosto devagar pra ele.
Os olhos dele buscavam lógica.
— Eu estou.
respondi.
O silêncio ficou mais denso.
— Mesmo?
— Pode ser por um tempo.
falei.
— Eu não vou ficar aqui pelos três anos, talvez... Bem menos que isso.
Ele franziu o cenho.
— E por que eu aceitaria isso?
ele perguntou.
Virei o corpo de lado, encarando ele de novo.
— Porque a gente pode fazer o acordo que você queria.
disse.
— Você resolve a herança bloqueada. Eu ganho espaço. Liberdade. Um pouco de ar.
Ele desviou o olhar, pensativo.
— Eu não queria ir pra casa dos seus pais, isso era errado desde o começo.
Assenti.
— Então, temos um acordo?
Sentei na cama esperando sua resposta, ele acenou.
— Essa com certeza é a maior idiotice que eu já fiz... Mas tá certo.
Acenei concordando e o silêncio v