Os cabelos estavam cortados, desalinhado, a barba desenhada, o terno ajustado. Mas o que mais me prendeu foi o olhar… escuro, intenso, quase arrogante.E quando seus olhos encontraram os meus, o mundo pareceu silenciar por um instante.Não desviei.Mesmo que meu corpo gritasse para isso, eu não desviei.O amigo que o acompanhava cochichou algo e riu baixo, e Gabriel apenas arqueou uma sobrancelha, mantendo aquele sorriso que parecia medir o ambiente e a mim.Meu pai pigarreou, trazendo de volta o som e o ar.— Bem… agora que estamos todos aqui, podemos conversar. Ele pousou uma das mãos no meu ombro com orgulho e continuou: — Como vocês devem se lembrar, a muitos anos atrás fiz uma promessa ao pai do Gabriel. Quando os nossos filhos eram apenas pequenos, nos nossos braços. Uma união entre as nossas famílias.O amigo de Gabriel desviou o olhar, fingindo interesse na mesa. E ele apenas cruzou os braços, impassível.— Sei que muitos acordos são apenas simbólicos...continuou meu pai.
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