Narrado por Henrique
A saída da delegacia foi o caos previsível. Uma horda de repórteres se aglomerou à minha volta assim que eu pus os pés no estacionamento externo. Microfones foram espetados em minha direção como lanças, e um coro de vozes ansiosas gritou suas perguntas.
— Delegado! Como foi a operação no Morro Madalena?
— O senhor pode confirmar a morte dos traficantes?
— Qual foi o papel exato da E.I.E. na invasão?
Meus homens, alertas, formaram rapidamente um cordão de isolamento, abrindo um caminho até a minha viatura com uma eficiência que me encheu de um breve orgulho. Eu me movia entre eles, a cabeça baixa, focando apenas no asfalto à minha frente.
— Sem comentários agora — disse, parando por um instante e erguendo a voz o suficiente para ser ouvido sobre o alvoroço. — A invasão já aconteceu e, ao meu ver, foi excelente, visto que não houve nenhum risco à população ou perda de civis.
Não esperei por mais nada. Abri a porta do carro, enfiei-me no banco do motorista e liguei