Narrado por Henrique
— Mamãe, eu...
A voz doce e infantil da pequena Chun-hee cortou o ar carregado da cozinha como um raio de sol. Ela parou na entrada, seus olhinhos curiosos indo de mim para Anita, que parecia ter virado uma estátua de puro pânico e vergonha. Eu, instintivamente, afastei-me alguns centímetros, criando uma distância respeitosa, mas o calor dos lábios de Anita ainda estava impresso nos meus.
A garotinha me encarou, uma análise silenciosa e profunda que era assustadoramente madura para alguém da sua idade. Então, como se tivesse aprovado o que viu, um sorriso franco e aberto iluminou seu rosto. Eu, que não sou homem de muitos sorrisos, especialmente de manhã, senti os cantos da minha boca se curvarem numa resposta involuntária. Era impossível não corresponder àquela pureza.
— Bom dia, moço! O meu nome é Chun-hee. Como você se chama? — ela perguntou, com uma formalidade encantadora que soava como uma pequena adulta.
Abaixei-me até ficar à altura dela, sentindo uma estr