A notícia já morava no corpo de Isabella havia meses, mas dizer em voz alta ainda parecia um gesto solene — como plantar algo sabendo que todos vão passar a cuidar junto.
Ela escolheu a manhã seguinte com cuidado. O sol estava firme, sem pressa, e a fazenda seguia num daqueles dias em que tudo parecia cooperar. O cheiro de café espalhava-se pela casa quando Dona Lourdes chegou, trazendo um pano de prato no braço e a costumeira expressão de quem já percebia as coisas antes de serem ditas.
— Bom dia, meus filhos. — disse, entrando sem cerimônia — Esse cheiro tá diferente hoje… ou sou eu que tô mais sensível?
Isabella trocou um olhar rápido com Rafael. Era agora. Tonico vinha do curral, limpando as mãos na calça, quando viu os dois parados na varanda, próximos demais, silenciosos demais.
— Uai… fiz alguma coisa errada? — perguntou, meio desconfiado.
Isabella respirou fundo. Sentiu a mão de Rafael tocar de leve suas costas — não como apoio, mas como presença.
— Não. — ela disse — Na verda