Três meses haviam passado desde o dia em que o corpo de Isabella falou pela primeira vez em outra voz. O tempo não correu — assentou. Fez como a terra depois da chuva: absorveu, acomodou, preparou. A fazenda já não era a mesma. Nem Isabella. Nem Rafael.
A manhã começava mais cedo agora, não por obrigação, mas por instinto. Isabella acordava com o sol ainda tímido, sentindo o corpo diferente — mais lento em alguns momentos, mais sensível em outros. Havia dias de enjoo leve, dias de um cansaço profundo que vinha sem aviso. E havia dias de uma alegria silenciosa, quase inexplicável, que surgia no meio das tarefas mais simples.
Naquele dia, ela estava sentada na varanda, as mãos repousadas sobre o ventre ainda discreto, mas já presente. Não era algo que se via com clareza sob a roupa larga, mas ela sentia. Sentia como quem reconhece um pulso novo dentro do próprio ritmo. Rafael saiu de casa carregando duas canecas.
— Chá. — disse — Do jeito que você gosta agora.
Ela sorriu, aceitando.
— N