A mala de Rafael ficou aberta no quarto a manhã inteira, como se também resistisse à ideia de ser fechada. Isabella passou por ela algumas vezes, fingindo não notar, até que parou na soleira e apoiou a mão no batente. O sol entrava inclinado pela janela, iluminando as roupas dobradas com cuidado — poucas, práticas, escolhidas para a estrada.
— É só um show. — Rafael disse, como quem tenta diminuir a distância antes que ela exista — Dois dias. Três, no máximo.
Isabella assentiu, tranquila por fora, atenta por dentro. Havia aprendido que amor não é segurar, é organizar o espaço para o outro ir e voltar.
— Eu sei. — respondeu — E é importante. Você trabalhou pra isso.
Ele se aproximou e a abraçou com delicadeza, a testa encostada à dela.
— Importante é você. — murmurou — O resto é caminho.
No meio da manhã, Dona Lourdes chegou trazendo um cesto com pães ainda mornos. Parou ao ver a mala fechada ao pé da cama e entendeu tudo sem precisar perguntar.
— Então é hoje. — disse, pousando o cest